Friday, August 03, 2012

Na Estrada - Cordel do Fogo Encantado



" E o tempo faz estradas
Para se chegar ao fim
Nossa vida é feita assim
Na estrada..."






Monday, July 09, 2012

Certo ou errado?

Todo mundo tem uma mentira para contar
Pode ser simples ou não
Pode ser apenas uma interpretação
Não existe certo e nem errado
Existem pessoas
Existem consequências, lições e experiências
Existem perdas e ganhos
E quem disse que perder é ruim?
A depender do que se ganhe, o oposto é péssimo
Tem gente que perde um amor e ganha um amigo
Tem gente que perde o sinal fechado e ganha um livramento
Tem gente que ganha um beijo e perde a hora
Tem gente que perde um pai e ganha um filho
Tem gente que nunca teve nada e é feliz
Tudo no mundo é relativo e o relativo traduz a mutação
Se até o mundo gira, não é a nossa mente que tem que estacionar
Seu ponto de vista é o ponto certo da questão
O equilíbrio precisa do desequilíbrio pra existir
O que é certeza hoje, amanhã é dúvida
E nada precisa de justificativa
Porque o universo sentencia pra quem não tem pressa.

Tuesday, July 03, 2012

Adversidade

Adversidade são degraus...

Tuesday, June 19, 2012

Espaços

Aos poucos aprendo mais sobre os meus vazios...

Tuesday, June 12, 2012

Corações





Apaixonados
Esperançosos
Alegres
Feridos
Parados
Cicatrizados
Acelerados
Divididos
Grandes
Ansiosos
Cheios
Aflitos
Saudosos
Simples
Pequenos
Afetuosos
Apertados
Honestos
Traídos
Medrosos
Solidários
Felizes
 
A todos os corações, um Feliz Dia dos Namorados...

Thursday, May 17, 2012

In_perfeito

O perfeito está para o imperfeito, assim como o imperfeito está para o perfeito.

Wednesday, May 09, 2012

Estradas

Às vezes você acha que ainda está cruzando uma ponte
E não se deu conta de que já chegou ao final
Você aprendeu tantas coisas
E o destino já estava ali, do outro lado
De braços abertos e pronto pra te receber

Os encontros acontecem dos desencontros
O que era cinza agora colore
A felicidade vem como um ladrão, sem bater na porta ou avisar
A dor de mansinho recua
E uma nova vontade se instala

Novos ventos trazem novos aromas
Novas telas, novas pinturas
Novos lugares, novas impressões
Novas linhas
E novas histórias pra contar

E nesse conto
Surge um novo encanto

Que na presença faz o tempo correr
E na ausência, faz o tempo se estender
E com o passar do tempo, todo o tempo é pouco
A vontade de eternizar cada momento, cada movimento se torna imensa
E num mergulho profundo você se descobre ali, no outro...

Wednesday, April 25, 2012

Ponte

Mais importante do que chegar ao outro lado da ponte é o que você aprende no percurso.

Monday, April 23, 2012

Indo

Deixa flu......ir...

Wednesday, April 11, 2012

Correnteza

Não!
Eu não vou perguntar às cartas
Às pessoas
Vou perguntar a mim

Onde estão os meus reais desejos dentro desse rio?
Não preciso ir tão fundo pra saber
Que nessa correnteza eu não quero ser boia
Não posso simplesmente ser levada, arrastada pra lugar nenhum

O que impede o fluxo?

Eu quero ser galho
Ter um lugar, uma posição fixa
E ali me manter

Lutar contra a força das águas, se assim for preciso
Até sentir que tudo foi por água abaixo
E restou só o que é cristalino
Só a pureza do que sou...

Tuesday, April 03, 2012

Janela aberta

Sem questionar
Abri a casa
Abri a janela
Pro vento entrar
Sacudir as cortinas
E deixar o medo ir pelo ar...

Thursday, March 29, 2012

Salve Salvador

Salve o tempero
A arte
O gingado

Salve a música
O mulato
E o pardo

Salve Jorge Amado
Salve a nossa raiz
Aqui é fácil ser feliz

Salve o Porto da Barra
O Farol de Itapuã
O Pelourinho

Salve as águas cristalinas
A inocência da menina
Que transborda o amor

Salve a Bahia
Salve São Salvador

Thursday, March 22, 2012

Mude!

Um dia eu já bebi
Um dia eu já fumei
Um dia eu não gostei de Pitty
Um dia eu não comia acarajé
Um dia o cinza era preto
Um dia o preto era branco
Um dia eu não gostava de música eletrônica
Um dia eu não me batia com o José
Hoje eu adoro a Maria e amo salada
Amanhã pode ser que eu goste de pimenta e guacamole
Mude!
Seja um pouco a costura
Mas preste atenção ao avesso
Ele também existe!

Wednesday, March 21, 2012

Semente

Quero continuar sendo semente
Crescer, sendo regada pelas coisas boas da vida
E pisada quando for preciso germinar de novo...

Felicidade

A felicidade pode ser tão sufocante quanto a dor.

Trecho do livro - Comer, rezar, amar

‎" Se você tiver a coragem de deixar tudo o que é familiar e conhecido, desde a sua casa até antigos ressentimentos, para partir numa jornada em busca da verdade interna ou externa e se despuser a encarar tudo o que lhe acontecer como uma pista e aceitar todos que cruzarem o seu caminho como um mestre e se estiver preparada, acima de tudo, para aceitar e perdoar realidades duras sobre si mesmo mesmo então, a verdade não lhe será negada."

Tuesday, March 13, 2012

Descobertas


Vim agradecer à vida
Por cada raiar do dia
E suas infinitas possibilidades
Energias, aprendizados
Trocas, pessoas
Sentimentos, oportunidades

Hoje percebo o quanto você ganha com uma perda
O quanto uma adversidade abre a mente
Abre novos caminhos

Que um sim é feito de nãos
Que sem obstáculos não há salto
Que amigos são tesouros mais do que preciosos
Que o choro lava a alma
Que tudo que bagunça depois se arruma
Que os acontecimentos têm um curso natural
Que o sol brilha de onde não se espera
Que o desespero cega
Que na fraqueza você descobre uma força escondida
Que o tempo traz respostas
Que sorrir para as pessoas é importante
Que dar é melhor do que cobrar
Que o melhor bom dia foi o que você deixou de dar
Que não existe lugar mais confortável do que o colo de mãe
Que a vida não para
Que os simples gestos são os mais marcantes
Que o silêncio fala alto
Que querer mais nunca é menos
Que o seu melhor amigo é o seu coração
Que a metamorfose nunca é tardia
E que se descobrir é único e vital...

Monday, March 12, 2012

Utopia feliz

Acredito que felicidade só seja utópica pra quem não acredita nela.

Seria hipocrisia dizer que sou feliz o tempo todo. Não sou. O ser humano tem seus altos e baixos. Tem dia dá vontade de parar de jogar, de pedir pra descer, de decretar falência – mas no dia seguinte, a gente recupera a ideia de que a vida é boa demais pra isso. Por isso acredito que a felicidade seja feita da soma de momentos felizes que acumulamos na vida. E ninguém pode acumular esses bons momentos pela gente. O trabalho é nosso – temos que a aprender a sermos felizes sozinhos. Temos que viver numa busca incansável desses bons momentos, por mais árdua que ela possa ser.

Algumas situações realmente fogem do nosso controle, como doenças ou fatalidades. Outras, estão completamente nas nossas mãos – basta saber o que queremos fazer com elas. Relacionamento com as pessoas é uma dessas coisas que podemos sim controlar, por mais que pareça difícil. Não podemos controlar as ações do outro – mas podemos escolher quem queremos trazer pro nosso lado. Temos que nos afastar das pessoas que sugam a nossa energia, que nos deixam pra baixo, que nos trazem sofrimento. Temos que trazer pro peito aquelas que acrescentam, que somam, que multiplicam as coisas boas da vida.

Aliás, o peito é um lugar no qual não se pode trazer todo mundo. Um dia ouvi uma coisa que faz todo sentido – quando você abraça alguém, os dois corações se aproximam. O abraço é o ato que mais permite que seu coração se aproxime do coração de outra pessoa. Nesse momento, eles batem junto. Por isso, é preciso ter cuidado ao selecionar aqueles que trazemos pra junto da gente. Aqui, o clichê do amor próprio é totalmente válido. Ninguém que te traz sofrimento constante merece ser trazido pro seu peito. Esse lugar tem que ser reservado pros especiais, pros selecionados, pros VIPs da sua vida. A entrada não pode ser liberada pra qualquer um.

Sunday, March 04, 2012

Gangorra

Sentimentos em gangorra
Sobem e fervilham a mente
Descem e por instantes angustiam

A linha do fim sufoca
A morte lenta se instala aos poucos
Naturaliza, neutraliza, adormece...

Friday, March 02, 2012

Flashback

Depois de tanto tempo retorno ao mesmo lugar
Casa de mãe
Casa minha
Disso ainda não sei o que pensar

Mas hoje deu vontade de ficar
Sentar na varanda
Olhar pela janela
E com os olhos correr a rua que cresci

Nem reparei qual é a lua
Mas dentro de mim vejo que tanta coisa já minguou
Minha infância, adolescência
Até alguns sonhos talvez

As árvores trazem as minhas raízes
Brincadeiras
Traquinagens de menina pintona
E nesse flashback
As lembranças todas vêm à tona

Caio Fernando Abreu

‎Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força.
Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais.
Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.

Monday, February 27, 2012

Vendavais

Mesmo em meio aos tantos vendavais
Rajadas da brisa batem no rosto

O vento transporta
A alma corre solta, corre leve
A mente vaga por espaços desconhecidos e indeterminados
O corpo dança devagar

E num compasso ritmado, controlado
A vida numa valsa se embala
Pra viagem ou pra consumo imediato

Os olhos já vêem além
Saltam manguezais
Escorregam sobre as geleiras
Que, por hora, começam a derreter

No tic e tac do relógio o tempo se ajusta
A compreensão sobressalta
O entendimento vira algo anatômico

A dor transforma todo ser em um eterno camaleão
E essa metamorfose me colore, me seduz
Constrói novas memórias e me refaz

O mundo gira, a gente se conhece
A gente se permite
E onde era pó, agora nasce uma rocha

Monday, February 13, 2012

Alguma coisa

Até o que não tem que ser já é alguma coisa...

Monday, February 06, 2012

Inteiros

Maçã mordida
Plástico bolha estourado
Farelo de pão

Não aceito metades
Desse xadrez tô dando o fora
Talvez já tenha passado da hora

Se isso for um jogo
Eu prefiro perder
Do que ficar pra ver

Do amor, quero os inteiros
Sem reservas, sem medos
Com transparência e intensidade
Dormir do lado
E acordar com saudade

Correr pela via de mão dupla
E não por via das dúvidas...

Tuesday, January 31, 2012

Vai não vai

Encosta em mim
Vem assim, devagar
Me bagunça
Desarruma
Tira tudo do lugar

E quando tudo se espalha
Sujou!
No coração
A confusão está armada

Corre, corre
Cadê?
Foi embora
Quando olho, eu fiquei ali
E engraçado que disso eu já sei rir

Pois vá...
Ande, voe!
Respire, viva a liberdade
Dê passeios
Obedeça aos seus instintos, seus anseios
Se arrisque em aventuras

Se perca, se ache
E depois volte inteira, assim
Você sabe exatamente o caminho
Que me leva a você
E traz você a mim

Tuesday, January 24, 2012

Estilhaços

Não sei se foi soco
Se foi pedra
Sei que a vida ficou
Em estilhaços
E cada pedaço de mim espalhado
Pra reconstruir...

Tuesday, January 17, 2012

Velas

Acendi velas
Deixei-as em cima da mesa
Na esperança de fazer uma festa
Caso você resolvesse voltar de surpresa mais uma vez

Hoje, depois de dias e noites ali
Percebi que elas ainda estavam acesas
Queimando, derretendo, em chamas
Mas percebi também que as velas mudaram de cor

Eram velas de luto
De ausência
De morte

Fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
Apaguei!
Adeus...

Monday, January 16, 2012

Ciranda

É um mantra
Uma ciranda
Com giros infinitos
No mesmo movimento

É um golpe de ar
Uma volta, sai de cena
Outra volta, um novo capítulo
Dessa novela sem fim

Suas mãos soltas me prendem
Seu desdém
Me faz refém

E o pouco que respiro
Você suga
E eu novamente esvazio..

Dói

Dói o estômago
Dói a cabeça
Dói o coração
Tudo dói...

Friday, January 13, 2012

Opostos

Real e ideal
Metamorfose e borboleta
Queda e salto
Aperto e alívio
Dia e noite
Não e sim
Silêncio e sons
Sol e chuva
Frio e calor
Preto e branco
Altos e baixos
Sorrisos e lágrimas
Concreto e abstrato
Escuridão e claridade
Razão e emoção
Céu e inferno
Acelerador e freio
Nascimento e morte
Tic e Tac
Reta e curva
Côncavo e convexo
X e Y
Português e matemática
Perfeito e imperfeito

Não precisa existir uma ordem

Tudo é holístico
Tudo se complementa
Tudo tem sentido
Tudo tem seu tempo
Tudo se mistura
Tudo é importante
Tudo é vital!

Thursday, January 12, 2012

Hoje

Hoje eu tô meio assim
Hoje eu tô meio
Hoje eu tô
Hoje eu
Hoje...

Perguntas e respostas

Todas as respostas estão dentro de nós.
O que a gente precisa é se perguntar mais...

Senhor do Bonfim

A água desce pela escada
Lava o povo, lava a alma
Traz gente de todo o lugar
Aqui ou lá

Todos na mesma corrente
Com fé e devoção
A pé
Em procissão

Tá na cor
Tá no sangue do baiano
A tradição das flores
Que saúdam a oxalá

Na colina
O colorido dá o brilho, o tom
E em cada rosto
Um sorriso de promessa cumprida

Todo ano
O encontro do sagrado e profano
Baianidade sem fim
É festa
E tempo de agradecer o que ele fez por mim

É 12 de janeiro
Dia do Senhor do Bonfim

Wednesday, January 11, 2012

Esconde-esconde

Nosso íntimo é muito complexo
E nesse esconde-esconde
Você pode ser o salve todos...

Não

Um não pode abrir muitos "sims"...

Tuesday, January 10, 2012

Caio Fernando Abreu

O que tem de ser, tem muita força
Ninguém precisa se assustar com a distância
Os afastamentos que acontecem

Tudo volta!
E voltam mais bonitas, mais maduras
Voltam quando tem de voltar, voltam quando é pra ser

Acontece que entre o ‘ainda não é hora’ e ‘nossa hora chegou’, muita gente se perde
Não se perca, viu?

Wednesday, December 21, 2011

Corrida

Sem roupas
Sem máscaras
Mas com o peito aberto
Vejo a vida
A olho nu
Onde cada descaminho mostra um novo caminho

Caminho de ida
Caminho de volta
Metros percorridos
Alguns limites superados
E em cada amanhecer
Algo novo, inesperado

Onde cada raio de luz
É um raio x de tudo
Até do xis da questão

Corro todos os dias
Pra lá
Ponho a mente em atividade
Pra cá
Ouço o mar
E as mensagens que a brisa vem soprar

Aperto o passo
Involuntariamente acelera o coração
E nesse trajeto
A razão já ultrapassa a emoção
E aos poucos desfaz o embaraço

O foco é linha de chegada
Mesmo pra quem acabou de partir
Cruzar demanda perseverança e calma

E assim a estrada não para, segue
É um labirinto sem fim
Sem pressa
Me acho em mim..

Verão

É verão!
Onde era frio, fez-se calor
Que não somente degela
Mas aquece aos poucos...

Tuesday, December 20, 2011

Trecho final - Como esquecer (filme)

Talvez eu me arrependa, Helena
Mas agora preciso descobrir o que sobrou de mim mesma
Não posso te arrastar pra uma vida de comparações
Você merece coisa melhor do que alguém acampado numa encruzilhada
Tentando enxergar o caminho, qualquer caminho

O amor exige muito e eu tenho muito pouco pra dar
Nem sei se com esse pouco se faz vida
As emoções escorrem, nada penetra
Talvez eu me arrependa, Helena, talvez...

Monday, December 05, 2011

Deserto

Tudo preso
Tudo solto dentro de mim
Convicções e certezas
Versos perdidos no meio do caminho

Transponho a fuga
Acerto mais do que o passo, a direção
Rumo ao deserto que precede à bonança

Calor, sede
Ausência de pele

Na falta do aconchego
Me abrigo em mim
Me descubro, me reinvento
Me renovo, me assusto

Mas respiro
Suspiro
Oscilo

Olho pra o que ainda não vejo e sigo..

Thursday, November 10, 2011

Linha do equilíbrio

Encantam-me tuas curvas
Teus desalinhos me fascinam
E as tantas voltas que faz

Persigo-te infreavelmente
Pois sei que só você vai me completar

Equilíbrio
Venha, mas só se for pra ficar
Entra na minha vida
Seja bem vindo ao meu lar...

Prazer

Chega!
Não quero mais andar como um espiral
Dando voltas ao redor de mim
Cheguei ao ponto final

Quero renomear o momento
Minha força agora é centrífuga

De dentro pra fora busco a vida
Busco você, ar
E tudo mais que me dê prazer

Vou voltar pro casulo
Vou voltar sim
Mas só depois de rir

Rir em uma esquina qualquer
Rir com meus amigos
Rir comigo
Rir dos deslizes
Rir do medo
Rir do perigo

O mundo é grande
Mas a minha vontade é ainda maior
Por isso repito

De dentro pra fora busco a vida
Ar, busco você
E tudo mais que me dê prazer

Thursday, November 03, 2011

Desentupindo

Eu não sei se quero saber ou não
Onde andas, onde dormes
Onde vai e vem

Para onde foram os seus sentidos?
Será que eles ainda me sentem ali?
Em que vão estão?

São tantas coisas misturadas e distintas
E adoro quando a mente vem me ludibriar

Sei que muita coisa tem
Mas pra onde foi o teu caminhar?

Queria saber dos seus passos
Embaraços
Banhar-me do doce aroma que exala do teu corpo
Soprar aos teus ouvidos palavras que acariciam o íntimo, a alma
Adentrar tua pele
E na tua veia, como sangue quente correr

Te inflar de mim e me inundar de ti
Percorrer você
Desaguar no teu silêncio
E sentir que o seu coração ainda pulsa
Na mesma velocidade que o meu

Dividir os sonhos
Retomar a estrada
Vasculhar a memória
Refazer a história

Tuesday, May 17, 2011

Humor sentimental

Tem dias que você acorda feliz
E sai de casa assim
Com o sorriso estampado no rosto
E no peito, uma vontade imensa de ser feliz

Mas, de repente
O vento cruza você
E quando vê
A felicidade se foi
Como uma folha solta no ar
Em giros, em desalinho

O peito murchou
E o vazio sobrou

A tristeza vem, abate a alma
Tudo fica pequeno

Na tentativa de respirar
Olhei pra cima e vi
Que o céu também nublou

Ali, um buraco se abria
Meu humor seu esvaia
Meu mundo? Já não existia...

Tuesday, April 05, 2011

Tic tac

Depois de um tempo, o próprio tempo começa a fazer sentido...

Wednesday, January 12, 2011

Alheios ais

Não me responda
Não me diga nada
Conheço bem o seu jeito duro
Esse orgulho com ar charlatão de quem não liga pra nada

Por dentro é tanta ferida
E por fora é essa casca impenetrável de ironia
Defesa transformada em exagero
Que quem não conhece, até confia

Pra que fingir?
Pare de se esconder
Fale mais de você
Revele suas fraquezas
Suas maiores riquezas
Seus sentimentos
Seus nós
Seus ais
É assim que vai se sentir melhor

Saia da sala fechada
Grite seus pensamentos pro ar
Pra quem quiser ouvir
Pra quem quiser falar

Thursday, November 25, 2010

Brinquedos

Uma caixa remexida
Tampa aberta
Brinquedos espalhados
Pela sala
Pelo quarto
Pela janela
Pelo chão
Baralho, pipa e peão
Um mundo de surpresas
Guardado no vazio
Dessa solidão...

Thursday, November 11, 2010

Em busca do caminho perdido

Apalpando a escuridão
Em busca de algo perdido
Vi um caminho.....

Tinha luz, arco-íris e muita vida
Era um céu azul
Água gelada no corpo em um dia quente de verão

Tinha uma porta estreita
Porém entreaberta

Sem bater, sem perceber
Já tinha entrado
E sem ao menos espiar

Estava lá a pontinha dos meus dedos tortos
Pisando leve
Sem fazer barulho
Para não alarmar demais

Era uma agonia boa
Aquela sensação de euforia
Há muito tempo não sentida

Instintivamente segui os rastros
Olhos semicerrados, quase abertos
Cabeça na frente, corpo do lado de fora

De repente, os fios dos meus sentidos
Ligaram-me novamente
E em choque à realidade me recebeu
Com vazio

O que era colorido mudou de cor
A noite caiu
O orvalho se espalhou por entre os carros
Cobrindo as plantas e embasando tudo.
Inclusive o caminho de volta........

Wednesday, June 02, 2010

Lapsos

A música brincava..
Rodava por dentro dos ouvidos
Provocava risos, lágrimas e euforias

O corpo obedecia rigorosamente
Aos infinitos pensamentos
Que ardiam em chamas
E vontades indecentes...

Tuesday, June 01, 2010

Rascunhos

Tudo o que eu precisava era de uma folha
Aquela que cai da árvore
Ou um mero rascunho
Perdido na bagunça dos meus badulaques diários

A ausência foi tão forte que se fez presença
E o silêncio...ah, o silêncio fez-se grito

Rachou-me de ponta a ponta
E pelo chão espalhou-se o meu equilíbrio

Foi preciso calma,
Entre longas pausas de respiros e suspiros
Fitando um horizonte meramente imaginário
Onde os estáticos quadros ali contidos
Eram exatamente partes da minha história, minha existência
Agora em linhas corridas, atrapalhadas e desordenadas

Como os dias que se sucedem
Com poeira retorcida
E ciscos que ofuscam a visão...

Monday, December 07, 2009

Silêncio

Tem certas coisas que a gente custa a aprender
Como, por exemplo, o silêncio

Suas palavras
Intenção
Coincidências, razão
Falta de tempo
Questão
Realidade e o definitivo

O silêncio fala alto
O silêncio cala
Permite e emite respostas
Não precipita a conclusão
E tira o efeito do colírio que embaçava a visão

E depois disso o que resta?
Mais silêncio..

Wednesday, November 04, 2009

Estiagem

Tudo estava assim
Meio que abafado
Mas logo depois
Os pingos a terra se apresentaram

E inundaram aquela cidade
Que já não tinha pra onde sua água escoar

Mas, mesmo assim, insistia em chegar sorrateiro
Em golpes rasteiros
Na companhia dos ventos
Com velocidade descompassada e instável

E assim, depois de dias, continuava
O tempo fechado
O céu aparentemente azulado
E os resquícios ali, arrastados

Levados pela enxurrada
Incontida e ininterrupta
Que sem ao menos esperar
Transbordava e, sem notar, levava tudo

Inclusive o cabelo da mocinha que atravessava a rua
E o abrigo dos carentes como eu

De repente, noite fez-se dia
A temperatura já era tardia
E o que era uma tarde vazia
Transformava buracos e poças em sorrisos

Deixando apenas pegadas
Inerentes, inocentes
Uma areia molhada
Com rastros que aos poucos não se reconhecem e desaparecem

Monday, September 21, 2009

Hoje

A vida me feriu o peito
Tô enferma
De luto
No leito

Sem uma das pernas
Locomover-se é ruim
Você se foi
E eu fiquei assim
Sem metade de mim

Onde estão os estilhaços
Do meu coração sonhador?
Onde estão as notas
Daquela canção?

Que nunca mais ouvi
Que nunca mais senti

Apertado coração
Pequenino, sufocado
Sobra a frustração
De tanto amor interrompido
Entre tantos sonhos não-vividos

Com as lembranças
Que sorrisos me arrancaram
E me fizeram criança
Dentre as que dão um nó
Caminho sem rumo
Trilhando o lamento
Por um momento melhor

Eco
Oco
Choro

Trancada
Angustiada
Esvaziada.............

Friday, September 11, 2009

Sufoco

O que me acalma?

É uma música? Ouço!

É uma conversa? Falo!

Sou folha desprendida no chão

Que o vento passa e leva

De um lado encontro, paz

Do outro, confusão...

Thursday, September 03, 2009

Rasgados

Dias frios...

Sons, vozes

Melodia triste

Nostálgicas cordas de um violão

Livro, filme, televisão

Ponteiros, papel, caneta

Cantinho, cama, canção

Notas, imagens

Dedos e palavras

Dedilham minhas manhãs

Cabeça pro lado

Olhar pro outro

Pensamento pra cima

Cadê a rima?

Rosto exposto às frestas

Aparando arestas

Transbordando silêncio

E escuridão

No balançar das cortinas

Sinto os ventos de estação

Desafinado, desanimado

Prossegue o coração

Minha ilha de fantasias e ilusão...

Thursday, August 20, 2009

Rio e Vale

Entre o tudo e o nada
Com nada fico


Durmo, acordo
Ando, corro
Perco um ônibus
Encontro alguém

Saio, distraio
Volto à rotina
Me perco em minutos
Mais tarde me acho

Relembro histórias
Choro no final do filme
Vejo o menino cruzar a avenida
E a vida parada naquela mesma esquina

Aspiro sonhos
Derroto os dias tristonhos
Transformo dor em flor

Altos, baixos
Sensações que saltam
De segundo em segundo

Um tornado, um tufão
Tá doendo
Tô crescendo
E torcendo pra isso tudo passar...


Wednesday, July 29, 2009

Incidente - Tato Barbosa

Deixo muito claro.
Tenho paz, vagar, alguma luz e tranquilidade mas todos vêm com muito esforço.
Não tenho muito fôlego, sentido e direção, desconfio, sombrio.
Há o que fazer, muito pra recordar e pouco pra esperar nessa calçada morna e segura que eu passo.
Mas meu tempo corre e não me infla o peito.
Nada daqueles alísios que provocam viagens rasantes ao sol e eu pergunto se realmente quero voar alto ou só pairar pra longe num fim de tarde sem tons poéticos.
Procuro uma porta amarela pra minha sombra bater e às vezes procuro sombra pra cobrir na minha cabeça esse olho que não tem encontrado muito a claridade das coisas.
Já teria concordado comigo sobre estes detalhes amenos, mas fico cego e volto a me repetir já pela manhã.
Quero me prender nesta respiração.
Talvez vire um mantra. Talvez vire e vá embora com um sopro.

Wednesday, June 10, 2009

Não poesia

Vim registrar coisas que emanam de mim

Na verdade o que irei transcrever nas próximas linhas

Pode assustar, preocupar, enfurecer ou simplesmente não causar efeito algum

Meu intuito não são versos, poesia ou coisa do tipo

O que trago para este livro on line, apelidado de blog,

Com pseudônimo de sopros do eu

São recortes do dia-a-dia, impressões pessoais que carrego do mundo, do universo

Que, de repente, podem ser designados de qualquer coisa

Átomos, íons, moléculas que meu próprio ser absorve

E tudo que consigo respirar

Tatear e por vezes incorporar dessa mochila pesada que sobrepõe e pesam os meus lombos

Ultimamente tenho vivido de sensações

Sinto-me de molho nelas

Mergulhada em mim, de mim

Meus sentidos trazem alegria, ao passo de tristeza e dor

Dor esta que não consigo decifrar, ao menos me livrar

Não sei o objetivo delas, mas com certeza fatores desconhecidos as influenciam

Tenho muitos sentimentos misturados que se revezam entre o manifesto e o ocultismo

Já pensei que sou bi-polar ou coisa afim, mas depois me vejo normal

Falo sozinha, mas não coisa com coisa

Todo mundo se confunde e na verdade não se conhece e nem se conhecerá

Acho que quanto mais a gente pensa que se conhece mais distante estamos de nos conhecer...

Queria escrever mais hoje

Queria um quadro para encher de cores e rabiscos

E embalar meu corpo em ritmos e cânticos nunca ouvidos

Anoiteceu, a lua está cheia, sim, cheia de um luminosidade, um ar especial

Que me desperta fome de devorar palavras e tentar decodificar meus pensamentos

Mas o tempo é curto, ele corre e eu preciso correr para acompanhar esse instante que já foi...

Wednesday, May 27, 2009

Sensações

São apenas sensações
Coisas inalcançáveis
Inomináveis
Quiçá indizíveis

São apenas sensações
Íntimo transportado
Complexo de conotações
Milésimos de segundo

São apenas sensações
Sonhos noturnos invasivos
Realidade e seus excessos
Ofuscando e sufocando o dia

São apenas sensações
Flashes estendidos na memória
Amargor do paladar
Ar desconhecido penetrando duas narinas

Enchendo os pulmões
Sem explicações
São apenas sensações...

Friday, May 15, 2009

Meus catados

Violão, música
Canto, ar
Poesia, pensamento
Lágrima, rosto
Respiração, peito
Inconstância, dualidade
Inusitado, sufoco
Suficiente, sorriso
Felicidade, lamento
Silêncio, buraco
Voz, confusão
Ida, vinda
Tinta, mancha
Loucura, imaginação
Saudade, tormento
Nota, canção
Profundidade, aperto
Ternura, fraterno
Cheiro, eterno
Coberta, aconchego
Engano, ilusão
Alegria, tristeza
Dúvida, especulação
Sinergia, expressão
Amor, carinho
Cumplicidade, graça
Berço, crença
Momento, retorno
Norte, luz
Guia, religião
Futuro, construção
Caminho, destino
Perdido, achado
Simplicidade, vigor
Substituição, olhar
Mar, vento
Fogo, frio
Calor, solo
Naturalidade, imensidão
Passo, inércia
Aparência, tom
Ironia, cegueira
Frustração, aprendizado
Conhecimento, crescimento
Pergunta, resposta
Sentidos, portas
Morte, vida
Acordar, adormecer
Sonhos, realidade
São os meus sentimentos
Sou eu...

Friday, April 17, 2009

Arritmia


Foi um tapa
Um vento impetuoso
Oriundo de chuva forte que balança galhos
Anuncia meros presságios
E derruba a flor...

Um quase inverno...
Tremedeira, dispersão
Devaneio
Sobreposição de imagens
Recorte de cenas
Deja vú

Artérias em luta constante contra a própria derme
Minando água
Pulsando sangue

Corpo na terra
Id, super ego e ego
Todos juntos
Num mesmo embalo, num mesmo destino

Sem juízo e menção
Soltos na atmosfera
Desconexos da alma

Embaçada
Turva, sem cor, sem cheiro
Sem volta

É forte, intenso
Dor que não finda
Cadê minha alma?
Deu adeus, fugiu de mim...

Thursday, March 26, 2009

Intensidade

A presença que despe...
O olhar que enlouquece sem tocar
Antes do desejo derradeiro
Já me devorou por inteiro

Corpo ardente, alma de menina
Rosto que tateia a minha pele fina
Arrebata um beijo
Enche minha carne de desejos

O gosto da sua saliva me excita
Nossos corpos em vai e vem me exercita
A quentura da tua boca, a freneticidade da tua língua

Faz derramar o suor dos meus poros
E sentir teus sussurros no meu ouvido
De perto ouço o teu ousado gemido

Enquanto meus lábios provam
O doce sabor do teu gozo...

Monday, March 16, 2009

Vácuo noturno

Não, não vou chorar
Embora por dentro pareça desabar
Recolho a cena, as palavras, o falar

No sofá fico sentada
Com a respiração muda
Espero a hora passar
Procurando por onde escapar

Meu tudo, agora é pouco
Nada basta, nada há
O inútil se apondera
Perco o sono, perco a fome, por vezes até o ar

Bebo sapo
Engulo lagoa
Enfrento a fúria de um furacão
O fervor de um vulcão

Olho para os pés
Falta-me o chão
Quero pisar...

Wednesday, March 11, 2009

Chuva de verão

Chove, chove sim
Inunda tudo
Coração, mente e mundo
Fica tudo assim

Confuso, oco, eco
De um silêncio surge o verso

Felicidade minguando
Tristeza crescente
Lua cheia em seu lugar
Iluminando o mar

Transbordando as ondas
Um olhar que nunca mais se viu
Acompanhando os quatro cantos
De um quarto vazio...

Thursday, February 26, 2009

Prelúdios

O corpo acorda
A mente dorme
Distrai a realidade
Passeia na escuridão

Dispenso a fórmula, a forma
Aspiro o conteúdo
A inspiração destas linhas

Dissipo o engano, a ilusão
Sigo a lógica
Busco solução

Reúno os rastros
Sinais que nem preciso ver
Basta o meu sentir

Aceito o convite da vida
Me estico
Amplio horizontes e pensamentos
Que me preparam para um novo momento...

Saturday, January 24, 2009

Um grito mudo

Quando falta o brado
E o grito fica mudo
As lágrimas derramam o entalado

Não sei mais o que é meu
E, se foi um dia
Mas, em dias, tudo se perdeu

Um ar estranho adentra pulmões
Comprime meus órgãos
E o coração calado pulsa...

Tuesday, December 23, 2008

Efeitos

A vida em efeito sephia
Tons amarronzados
Desbotados

Pisco os olhos
Tudo muda de cor
Desconheço suas causas
Mas, sinto os seus efeitos

Borboleta, especial ou colateral
Não importa
Chega devagar
Faz do novo, algo antigo

Querendo apaziguar...

Voo

Idas, vindas
Balde de água fria
Molham a altura dos meus dias
E tudo que, em conserva, estavam a se revelar

Emoção recolhida
Elogio
Saudosismo
Profundeza é onde mora a chave da partida...

Tuesday, November 18, 2008

Estátua

A queda da estátua
Destroços de corpos
Pés no chão
Desmanche
Gelo e degelo derretendo o ostensivo
Transcorrendo montanhas
Exibindo ao passo do vento meros sinais

Absorvendo o calor
Discipulando o curso do rio
Driblando seus obstáculos mais altivos
Derivando caminhos
Esbarrando em mangues
Atalhos que levem
Com o auxílio e direção do sol
Ao seu árduo e esperado encontro com o mar...

Mar de que?

Tuesday, November 11, 2008

Muros

Quando olhei pro dia
Já me esquecia
Que era tarde...

Tudo estava frio, desarrumado
Restos de um ciclone
E dois muros levantados

Territórios distintos, agora isolados
Erguidos com uma arquitetura familiar, f
eita de razão
E no canto esquerdo, um coração....

De pedra!

Wednesday, October 22, 2008

Pequenininha

Num porta-retrato
Mora o nosso contato
Te olho, te beijo e te abraço
Pois é tudo o que alcança meu tato

Sonho meu
Acompanhar os primeiros passos teus
Admirar seus indefinidos traços
Pegar-te nos braços

Ver-te crescer
E aprender a ler
Para ver o que escrevo hoje para você

Imagino seus dedinhos
O nascer dos teus dentinhos
As cores e desenhos dos teus vestidinhos

Seu corpo sujo de caneta
Teus riscos no papel
Minha linda sobrinha
Minha Camilinha...

Wednesday, September 24, 2008

Sala de espera

Por entre as frestas de uma janela fumê
Vejo a vida mudar de cor, escurecer
Como nuvem que chuva vem anunciar
E pássaros que sobrevoam em círculos, em par

Vejo as árvores sincronizando seus galhos
Num baile entre o norte e o sul
Ao passo que se organizam entre tons verdes e amarelados
Para o ensaio de saudação a mais um verão...

Aperto e saudade

Dor que não sangra
Peito extravasado
Em saudade desabo
Um particular tornado

Resquício que implode dentro de mim
Como um simples momento
Ou algo assim
Que aparece e desaparece como um risco de giz...

Monday, September 15, 2008

Miragem

Olho o mar
Aquela onda que vem de repente
E nela você está
Junto com a dor que já extravasa
O peito que arde de tanto salitro respirar
Nos imaginando aqui ou em qualquer lugar
Perto, longe
Você vestida de princesa
E eu um monge
A te esperar
Com a casa pronta
Um pouco maior que antes
E o coração em descompasso
Batendo calado
Na janela
Parada da carruagem
Que um dia vai chegar...

Tuesday, September 09, 2008

Conflito

A culpa é do tal conflito
Que liberta a alma
E preenche essas linhas...

Reconstrução

Olho para os lados
Meu “eu” sopra e eu tento alcançar
Mas segundos que parecem mais minutos
Me trazem de volta ao mesmo lugar

Até vultos me fogem
O vácuo pressiona a distância
Liberta sonhos proibidos
E desejos coagidos

Caminho sem juízo, sem arbítrio
Com os rastros do tempo
Minhas próprias pernas e passos

Aspiro à velocidade da vida
A pureza da poesia
Em suas alvas linhas

Procuro a paz do campo
O silêncio das montanhas
A leveza da neve

A sincronia dos lírios
O aroma das flores
A significância das cores

Escrevo ontem
Termino quem sabe amanhã...

Friday, August 29, 2008

Receita Incompleta

O constante descompasso
O engasgo de uma tosse
A ausência de alguma dose
O ingrediente que falta na receita
De um bolo doido
Sem modo de preparo
Com pitadas de arruaça mental
Meia colher de prazer
Um coito semi-interrompido
Adicionado à vontade de provar o alívio
E no forno, em forma, a dívida
Sendo paga, ou melhor, assada por cada triz
De dias em que fui tão feliz...

Wednesday, July 30, 2008

A deriva

Como sargaço
Entregue a rota dos ventos
Resisto às diversas ações do tempo

Curvado a bordo dos seus encantos
Lentamente vindos do mar
Acompanhados de nuvens e mantos

A noite venda
Um olhar que observa
Pétalas caídas

Foco desfocado de luz
Temperatura invertida
Veias, suor e sangue
Palavras que a boca ainda não pronuncia...

Monday, June 02, 2008

Música

MPB, Rock
Funk, Pop
Regional, Metal
Axé, Samba

Tango, Pagode
Gospel, Rap
Clássica, Romântica
Sertaneja, Blues

Brega, Erudita
Forró, Internacional
Jazz, Lambada
Reggae e Black

Sou uma variação de ritmos
“Soul”, música...

Música para rir
Música para chorar
Música para sentir
Música para lembrar

Música para distrair
Música para aliviar
Música para ir
Música para voltar

Música para saudar
Música para rimar
Música para marcar
Música para ficar

Música para telefonia
Música para terapia
Música para curar
Música para tratar

Música para alegrar
Música para entristecer
Música para enriquecer
Música para dançar

Música para brigar
Música para abraçar
Música para trepar
Música para gozar

Música para viajar
Música para acordar
Música para um momento
Música para um lamento

Música para comemorar
Música para homenagear
Música para propagar
Música para sei lá

Música para aflorar
Música para encantar
Música para cantar
Música para contaminar

Música para conviver
Música para reviver
Música para crescer
Música para espairecer

Música para ler
Música para mente
Música para esconder
Música para ambiente

Música para denotar
Música para conotar
Música para erro
Música para enterro

Música para aterrizar
Música para suavizar
Música para tremer
Música para rejuvenescer

Música para início
Música para claridade
Música para precipício
Música para falsidade

Música para perdão
Música para decepção
Música para escola
Música para vitrola

Música para caminhar
Música para acabar
Música para sucesso
Música para regresso

Música para raiar o dia
Música para noite fria
Música para trabalhar
Música para casar

Música para memorizar
Música para computador
Música para sarar a dor
Música para extravasar

Música para sofrimento
Música para engarrafamento
Música para conversar
Música para calar

Música para mexer
Música para emudecer
Música para dedicar
Música para desabafar

Música para oferecer
Música para escrever
Música para o ar
Música para lavar

Música para adulto
Música para burro
Música para ciranda
Música para criança

Música para o coração
Música para uma canção
Música para seduzir
Música para iludir

Música para malhar
Música para atrapalhar
Música para voar
Música para suar

Música para agitar
Música para parar
Música para enlouquecer
Música eu quero é música para viver!

Tuesday, May 27, 2008

Assim

Preciso sempre de papel e caneta na mão
Ao som de Elis
Faço a minha canção
Composta por uma overdose de pensamentos
Que me tomam agora
E me deixam por um triz
Fogem ao meu controle
Criam asas e se procriam em mim
Como uma criança, me sinto
Que por não saber falar
Abre a boca e chora
Sem motivo aparente
Por hora
Sem razão...
Não há agrado que chegue
Não há líquido, nem ar que encha, preencha
É um buraco imensurável assim
Considerável
Só os meus olhos internos podem ver
Difícil distância, deprê
Quero a porta da saída dessa caverna
Esse horror
Contornar a vida com hidrocor
Colorir o engano
Reluzir
Levar as folhas secas pra outro lugar
Respirar fundo
Inundar de mar o meu mundo
Pra essa sujeira boiar...

Friday, May 23, 2008

Desabafo

Manhã enluarada, azul do céu
Horizonte filmado por um olhar difuso
Pálpebras molhadas
São os meus registros no papel
Respostas quem voam
No território de rastros e palavras tensas
E pairam no ar, como poeira suspensa
Indesvendável dúvida do ser
Ausência de cores
Um branco total
Ansiedade
Despertei sem sal
Cheia de viadagem
Minha cabeça girando
Intercalando quilometragem
Estática e a mil por hora
Não consigo me concentrar em nada
Acho que é a porra da TPM, esse ciclo menstrual
Reação mensal
Que mela de sangue a mente feminina e me deixa assim, dual
Ou os fatos desses dias que juntos ou isolados me derrubam em partes
Mas, de qualquer e todas as formas permaneço assim
Longe e perto de mim
Tô confusa, tô elétrica
Tô comendo o mundo, no bom sentido
Seu abraço é tudo o que eu agora preciso..........................................tô vazia hoje...

Thursday, May 15, 2008

Pré

Tento em vão
Dar sentido à imaginação
Transformar tempo em verso
Vida em estrofe
De um eu lido inverso

No meio da cidade
Engulo lágrimas
Parada, fico sem entender
Você abraça a verdade
Duas palavras a põe pra correr

Mão chega como você, disposto
Rasga uma máscara que não existia
E sem querer fere meu rosto
Em busca daquilo que não tinha
Apenas mais um pressuposto...

Wednesday, May 07, 2008

Mãe

Mãe, seu dia está chegando
Faltam horas, instantes
E eu longe, distante
Mas, muito mais perto do que antes

Descobrindo que saudade
Não tem tamanho, não tem idade
É um sentimento que brota do infinito e faz do coração um vilarejo
Pequeno, diante de tudo o que aqui vejo

Me aperta, me corrói
Acelera, meu peito dói
Em sentir ausente o aconchego do seu abraço
Querer seu acalento, pulsando meus passos

Chegar em casa e ver você deitadinha no sofá
Ouvir como foi seu dia e meus casos te contar
Falar bobagens pra te flagrar sorrindo
Ficar quietinha e ver você dormindo...

Monday, May 05, 2008

Verborragia

Salva por um raio de luz matinal
Acordei sangrando de um pesadelo
Com a mente ziguezagueando

Tudo o que eu queria era um passeio
Sair, desopilar meus anseios
Sentar, chorar o dia inteiro

Letras, palavras, atitude
Na minha "verborragia"
Procuro algo que traduza essa inquietude...

Thursday, May 01, 2008

Flashes

Têm dias que a gente se pega
Com a imaginação à flor da pele
Os olhos tentando enxergar além...

Então, renomeio as coisas
Larva vira borboleta e voa comigo
Mostra o avesso das minhas vontades
Meus desejos prostituídos

Assim desperta e brota o novo
Coloca-me de cabeça para baixo
Sacode o corpo
Desenferruja aos poucos

O sapato aperta o pé
A fruta ao seu tempo amadurece, muda de cor
Tudo gira, meu mundo andou...

Thursday, April 24, 2008

Balança

Uma balança de brisa e fogo
Se contra balanceando
Consumindo de repente
Bebendo o frio, mastigando o quente

Em longos goles de limites
Vividos com prazer, tudo e nada a ver
Movimento a cabeça
Abro a mente, minha janela

Deixo a vida ir
Por instantes me perco dela
Enxergo-a de longe, a léguas, anos luz de mim
Depois corro pra alcançá-la

Em alguns passos, trago-a novamente pra pertinho
Juntando seus horizontes, cada “miudinho”
E só assim
Sinto os pesos intercalados
Entre medidas de erros e acertos
Gramas de perdas, quilos de ganhos...

Sunday, March 30, 2008

Estradas

Sentada, música ao fundo
Remexendo um ócio oriundo
Pousando a mente lembrança
Num saudoso mergulho entre traquinagens da infância
E paixões de adolescente
Nesse ciclo passa tanta gente
Tornando a vida dia após dia
Uma eterna despedida
Por isso, quero abraçar todos os meus amigos
Na mala, levá-los comigo
Em cada gesto, carinho e expressão
Brincadeiras, apelidos e jargão
Incontáveis coisas eu vi, vivi e descobri
Foi bem aqui
Bahia de todos, de ninguém
Gente que vai e gente que vem
Como estradas, quilômetros construídos por nossos pés
Engenheiros de alegrias, tristezas, surpresas e revés...

Tuesday, March 18, 2008

Soneto da aquarela

Rastro de feixes coloridos no ar
Permeiam um vôo de pés no chão
No horizonte, linha que sobreleva o mar
Reluzo a vida com uma aquarela na mão

Prelúdios de harmonia
Cores retas, ajustadas e perpendicular
O branco com sua velha mania
De se misturar aos tons e os amenizar

Formas arredondadas
Perpassam teus contornos devagar
Pincelando o que outrora era só um quiçá

Nova tela se desenovela
Com água corrente, tiro a tinta do pincel
E no varal deixo secando o papel, meu pedacinho do céu...

Tuesday, February 26, 2008

Rasgação...

Sem ser prolixa demais
Agora tanto faz
Pra que complexidade

Idade, só na identidade
O tudo e o nada, nada tem
Anseio verdade e mais que isso
Quero intensidade, rasgar o pretérito
Amassar os gerúndios
E colar o verbo, o velcro, como queira
Liberdade, asas de pássaro ferido
Ou imaginação
O que importa é a intenção
De um peito nu e aberto
Deixar em descoberto sua coragem
E sem vaidade
Entregar-me ao tempo
Ao talvez, ao passar da vez
Eles são donos de mim
E cantando sigo, vivo
Esmiuço a vida até que ela se esvaia
Entre meus dedos e na palma das mãos
Sobrem apenas as minhas verdades, purezas e essência
Toco o solo com meu calcanhar
Chego ao fim
Assim, com muito caminhar
Naquilo que o ´chamado´ destino
Me predestinar
O resto, deixo ao acaso
E ao que ele cruzar
Afinal é engatinhando
Que se aprende a andar...

Monday, February 18, 2008

Paz

O céu se abre e entre azuis
Ela chega, assim
Em passos mansos
Cortejando meu corpo
Inspirando meus ares

Sem pedir licença, entra...
Com 'suavidez' me afaga
Me tira do leito
Dilata meu peito
Que se enche de gritos e louvores

Chega a fazer cócegas
Abre meus lábios
Aperta meus olhos
Arranca meus melhores sorrisos
Cria sonhos e desejos ainda não vividos

Seja bem vinda ao meu mundo
Presença única, invisível
Sensitiva e incrível
Invade meu dia
Seu nome é paz...

Thursday, February 14, 2008

Lugares

Na pontinha dos pés
Piso leve
Encosto meu queixo no muro
E quietinha lanço meu olhar ao mundo

Admiro outras paisagens
Almejo, novos horizontes
Replanejo o escalar da montanha
Talvez como nunca fiz antes

Pupilas de um lado para o outro
Respiração ofegante
Normal, natural
Coisas, coragens e medos de principiante

Ouço meu silêncio
Meço o tum, tum, tum do coração
Avalio antigos presságios
Curto a sequidão...

Wednesday, February 13, 2008

Lição ' de casa'

Dia escuro
Noite clara
Minutos tensos
E eu só, só penso
Beijos, carinhosos
Seu rosto assim
Sorrindo, dormindo
Num sono tão bom
Que não me atrevi a te acordar
O meu do outro lado
Em colapso
A erupção toma meu corpo
Emudece meus sentidos
Que já enfraquecidos
Me levam a mutar
Rotacionar o viver
Aprender a me virar, revirar
Abrir uma nova página
A página da vida...
Decisão tomada, tomara
A partir de hoje
Sigo a mente e o coração
Com olhos atentos, aprendo a lição...

Thursday, January 24, 2008

Masturbação mental

O fone no ouvido
Uma música pra agitar o corpo
E lá estava a mente, parada
Puro zumbido
De versos, harmonia e letra

Abismo, medo é voltar àquele lugar
Bagunça que desarruma as idéias
Varre o instante pra outro lugar
Segundos que se interpõem entre nós
Já nos defasa

Intenso, complexo, talvez perplexo
Redescoberta aparente, sem fim
Confusão
Palavra que define meu coração
'saudade de tudo, vontade do muito' em mim...

Wednesday, January 23, 2008

Leitura da vida

Hoje suspendi o livro
Resolvi ler minha própria vida
Tirar o branco do papel
Entender o passo dado e aonde ele me levará

Botar pra fora o preso, os pesos
Enxergar minhas culpas, meus erros
Deixar correr solto meus devaneios
Sentir saudade de tudo

Valorizar cada gota de suor, cada gesto de amor
O sangue que corre na veia
Deus, a família, o trabalho e o alimento
Cada um em sua ordem, seu lugar, seu momento

Querer meu próprio espaço e no fim me dar conta
De que ainda assim sobra espaço
Instrospecção, mutação
Solidão não é tão ruim

É uma dor gostosa de sentir
Crescimento, amadurecimento
Preenchimento das páginas
Da história que ainda estar por vir...

Monday, December 03, 2007

Aquele homem

A semana começa devagar
Pessoas circulam as ruas
Destinos, caminhos e sentidos se cruzam
Vidas distintas se tocam em simples passos
Por um momento, em qualquer lugar

O entrelaçar rege o fluxo que vem de lá pra cá
Entro no ônibus, resisto em sentar
No meio de uma das paradas
Um rosto estranho me fez chorar

Aquele homem parado na minha frente
Sem nenhum dente
Perna em carne viva, vida morta
Pele ferida e aberta
O corpo tomado de lepra

Abatido sobre uma cadeira de rodas
Ninguém o olhava direito
Repulsa humana e preconceito
Era tudo o que ele conseguia atrair

Mas, atrás dele tinha alguém que se compadeceu
Um peito que ao amor, o espaço cedeu
Meu choro quis chegar perto e aliviar sua dor
Então, fechei os olhos ainda molhados
E pedi a Deus que o acompanhasse aonde for

A lição ficou
O que somos nós com tanta perfeição
Mas, sem coração pra amar?
Aquele homem da segunda-feira é a resposta que cala minha semana inteira...

Tuesday, November 27, 2007

Alma Anestésica

Meus olhos continuam fechados
As cenas passam devagar
É a vida que começa do zero
Como um filme a rebobinar...

Wednesday, October 24, 2007

Um quase

Solas gastas
Pés cansados
Caminhos árduos
Deserto percorrido

Linha de chegada
Suspiro de alívio
Outrora miragem
Balbuciando delírio

Hoje horizonte desenlaçado
Um quase fincado
Destino traçado
Lápis da vida

Monday, September 24, 2007

Meus outros versos

Cantos Vazios
Aquele silêncio
Há tempos não se ouviu
Sete dias
Duas pessoas
Um único amor, singular
Fundidos em cacos imperfeitos
Cheio de defeitos
Mas, que une, nutre e sacia
Em minutos que se estendem
Ninguém entende, pra que falar?
E como um vento rompante
A realidade vem enrolada num turbante
Agora sem colo, despida e carente
Alma quieta, dormente
Tentando a uma nova ausência se reacostumar

Friday, August 24, 2007

Pedaços quebrados

Algo suspenso
Sobrevoando respostas afins
Pensamento como um vento
Um vai e vem de mim

Idéias soltas, sem ordem, lógica e lugar
Poesia opaca, vida sem rima
Sobras de um coração inocente e dilacerado
Agora calado tentando respirar

Suspiros empurrando lágrimas
Que descem sobre um rosto abatido, cansado
E de par em par percorrem
Meus pedaços quebrados

Wednesday, July 11, 2007

Janelas

Abrem-se janelas e lá está o meu olhar
Perdido, rendido
Remediado pela dor
Ao infinito de uma alma ferida, morta
A espiar pela porta
Com vistas pra solidão

Marcas de algum viver
Manchadas em papel marchê
Deixadas em esquinas, estradas
Sem tempo, placa e palavras
Levadas por um vento qualquer

Pista paralela, um muro caído
Ventre infértil em perigo
Numa escrita vazia
Por mãos atadas de nó cego
Sou a morte do ego

Marcos e marcas
Aquelas que planejamos
Aquelas que nunca almejamos
Aquelas que parecem ser
Aquelas que aparecem sem saber
E ninguém mais consegue ler

Dos rochedos, as roxidões
Das alegrias, as tristezas
Das rosas, os espinhos
Fincados em meus pensamentos
Dos mais profundos aos “mais” pequenos